'O bronzeamento artificial pode funcionar como uma bomba, aumentando o risco de melanoma'

DIRETOR DA ONCOLOGIA CUTÂNEA DO HOSPITAL A.C.CAMARGO

João Pedreira Duprat Neto, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2009 | 00h13

O melanoma é um dos tumores de maior agressividade e letalidade entre os mais de 800 tipos de câncer que conhecemos, com cerca de 6 mil novos casos por ano no País. Por isso, a proibição do uso de bronzeadores artificiais, decisão tomada pela Anvisa com base em estudos científicos, foi muito bem recebida por toda a equipe de dermatologistas e oncologistas do Hospital A. C. Camargo, que atende anualmente mais de mil casos de câncer de pele, entre eles cerca de 250 melanomas.

Devido à maior conscientização da população a partir das campanhas de prevenção, convivemos com um diagnóstico cada vez mais precoce da doença - e, nesse sentido, a proibição é um desdobramento dessa mobilização.

A proibição protege principalmente aqueles que têm antecedente de melanoma na família; os que têm muitas pintas (mais de 100) ou aqueles de cabelos ruivos. Na experiência clínica diária, temos atendido também pacientes jovens com pele extremamente clara, olhos claros, com inúmeras pintas, com tumores já instalados, além dos que fizeram bronzeamento artificial. Pessoas com este perfil, espalhadas pelo Brasil, não eram devidamente orientadas sobre os riscos de se exporem à técnica e ao excesso de sol. E vale lembrar que a radiação solar tem efeito acumulativo, ou seja, quanto mais controlarmos nossa exposição à radiação solar, menor a possibilidade de desenvolvermos um tumor. Entretanto, no caso do bronzeamento artificial, esta exposição pode funcionar como uma bomba, pois uma única aplicação aumenta o risco de melanoma em 15%. E seu uso antes dos 35 anos pode aumentar em até 75% a incidência desta temível doença.

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