O feitiço da Vila contra o feiticeiro

O perigo, nessas horas, é a gente começar a acreditar que esse inferno já foi paraíso. Sinceramente, não sei se o Brasil era melhor no tempo em que São Paulo dava café, Minas dava leite e a Vila Isabel dava samba. Rola nesse momento em relação ao Rio de Janeiro uma certa nostalgia por aí afora do tempo em que o apito da fábrica de tecidos era o que feria os ouvidos de Noel Rosa. O bairro carioca que serviu de berço ao compositor passou a ser reconhecido em todo o mundo como palco principal da guerra do tráfico que dominou o noticiário da semana.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2009 | 01h13

A Vila virou vilã - não merecia! Ainda mais agora que prepara para 2010 as comemorações pelo centenário de Noel, com direito a samba-enredo de Martinho e o escambau. Vai passar pela avenida o bairro dos anos 1930, quando se deu por lá a primeira grande guerra de facções rivais: Wilson Batista, de um lado, e Noel Rosa, de outro, duelavam no rádio sacando canções antagônicas sobre a malandragem e as fronteiras da Cidade Maravilhosa com o banditismo.

Dizem que, no fundo, o que eles disputavam eram as mais lindas mulheres do pedaço, mas, se Wilson cantava em prosa e verso um tipo que dizia "Navalha no bolso/Eu passo gingando/Provoco e tenho orgulho/Em ser tão vadio", Noel reagia compondo Rapaz Folgado. A coisa foi esquentando até que Wilson Batista pegou pesado:

É conversa fiada

Dizerem que o samba

Na Vila tem feitiço.

Eu fui ver pra crer

E não vi nada disso.

A Vila é tranqüila,

Porém é preciso cuidado:

Antes de irem dormir,

Dêem duas voltas no

cadeado.

Eu fui lá na Vila ver o

arvoredo se mexer

E conhecer o berço dos

folgados.

A lua nessa noite

demorou tanto,

Assassinaram-me um samba.

Veio daí o meu pranto.

Foi assim que nasceu, em seguida e em resposta, Palpite Infeliz: "Quem é você que não sabe o que diz?" Já naquela época era muito difícil entender o que se passa em Vila Isabel. Eu passo!

SOS Parangolé

Jandira Feghali devia ser a primeira a doar meia dúzia de batas de seu guarda-roupa de jovem nos anos 1970 para a oficina de restauração do que sobrou do acervo do artista plástico de Hélio Oiticica. Todo mundo da geração da secretária de Cultura do Rio mantém uns parangolés velhos no fundo do armário.

SP high-tech

Inspirado na "mesa touch" do recém inaugurado Clube A, no Brooklin, o empresário Oscar Maroni está desenvolvendo o projeto da "mulher touch" para uma casa noturna privê da Rua Augusta.

Naquela base

O presidente colombiano Álvaro Uribe não precisou gastar muita saliva para explicar a Lula a razão de ser das bases militares americanas em seu país. Em matéria de base aliada, como se sabe, o presidente brasileiro não é lá muito exigente nem com a própria.

Saída

Como se não bastasse a vontade natural que todo carioca tem no momento de fugir da violência do Rio, começou esta semana a vacinação contra gripe suína em Paris, onde a Torre Eiffel estreou noite dessas nova iluminação de sua estrutura metálica. Desse jeito, francamente, o Leblon vai acabar às moscas!

Discrição

Regina Duarte voltou a usar franja para disfarçar! Mas tá na cara que ela está morrendo de medo da Dilma Rousseff.

Acaju light

Qual a cor atual do cabelo do jornalista Paulo Markun? Só se falava disso na noite de lançamento da revista MBaraka, da Fundação Padre Anchieta. A certa altura do debate, quase saiu briga.

Ser Mangabeira é...

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto é o novo Mangabeira Unger do governo. É muita responsabilidade, né não?

Reage, Rio!

Como diz Arnaldo Antunes, "tem tanto sentimento, deve ter algum que sirva"!

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