O fim da era Duda

Se pretende mesmo continuar ganhando a vida repaginando políticos em época de eleições, Duda Mendonça devia pensar em abrir um salão de beleza. Os anos dourados dos mitos da propaganda política, se já não repetiam ultimamente o brilho dos tempos de glória do ilusionismo marqueteiro, ficaram por um fio com a entrada em cena do cabeleireiro Celso Kamura, responsável pelo novo visual de Dilma Rousseff (leia perfil na página J8). Com uma dúzia de tesouradas, além de três ou quatro correções no design da maquiagem, o cara conseguiu resultado melhor que o obtido pelo lendário João Santana, publicitário titular da pré-candidata, à frente de um exército de cirurgiões plásticos, ortodontistas, estilistas, personal media training e o escambau.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 01h35

Feita por Kamura na informalidade do banheiro da ex-ministra, sem frescura de coiffeur, a cabeça de Dilma Rousseff foi inaugurada sem a pompa das obras do PAC, ainda que bem acabada e, sobretudo, econômica. Pelos cálculos das editorias de moda, deve ter custado uns R$ 7 mil - dinheiro que, em moeda publicitária, não paga o photoshop. A era dos cabeleireiros que se anuncia dispensa caixa 2 até para dar sustentabilidade à imagem obtida. A manutenção do penteado em questão requer menos gel que a média de consumo pessoal dos homens de marketing.

O cabeleireiro deixou Brasília certo de que apagou a imagem de "brava e fria" naquela mulher que, antes do serviço, lhe dava medo. Só se falava disso ontem em Nova York, onde Dilma Rousseff passou os últimos três dias toda prosa com a receptividade popular ao seu topete novinho em folha: quem antes nas ruas a confundia com dona Marisa Letícia a chama agora de Marta. Nada que um bom e velho crachá não possa resolver.

Carteirada

Paulo Maluf está ansioso! Não vê a hora de tirar sua carteirinha de Ficha Limpa no Congresso para esfregá-la na cara do pessoal da Interpol, do FBI, da Promotoria Distrital de Nova York, da Delegacia de Delitos Financeiros de Jersey...

Fair play, please!

O que mais irritou Hillary Clinton no acordo de Teerã foi a paradinha de Lula na hora da cobrança a Ahmadinejad. "A Fifa não proibiu isso?" - perguntou a Obama.

Sinal de sufoco

Faltou espírito de para-choque de caminhão na frase escolhida para ilustrar a lataria do ônibus que vai conduzir a Seleção Brasileira na África do Sul. "Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!", francamente, parece mais reclamação de passageiro em plataforma do metrô no horário do rush.

Miss-bomba

A imprensa americana precisa se decidir se a nova Miss EUA, a libanesa naturalizada Rima Fakih, é originalmente terrorista ou prostituta. As duas coisas e, ainda por cima, Miss América, francamente, o preconceito vai acabar caindo em descrédito, né não?!

Cama e mesa

O ator Nicholas Cage deu agora pra dizer que só come animais que fazem "sexo digno". O problema é que, hoje em dia, está cada vez mais difícil encontrar uma galinha decente em Hollywood. Só tem cachorra!

Efeito colateral

Ronaldo Fenômeno fez as pazes com Ricardo Teixeira. Depois engorda e não sabe por quê!

Inês é morta

Nicolas Sarkozy pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Chateado com a falta de apoio do presidente francês nas negociações em Teerã, Lula não vai negociar a devolução dos quadros de Picasso, Matisse & Cia roubados do Museu de Arte Moderna de Paris.

Sexo replicante

A produção de uma forma de vida sintética em laboratório pode ser o estopim de uma revolução no mercado de bonecas infláveis. No futuro, todas sairão de fábrica com genoma lubrificado.

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