O governo deve retomar as obras de Angra 3?

lano é começar construção em 1º de setembro

O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h49

O governo pretende iniciar em 1º de setembro a construção da usina nuclear Angra 3, no litoral do Rio de Janeiro. As obras devem começar após a emissão da licença de instalação da usina pelo Ibama. Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, anunciou que vai exigir compensações ambientais e o monitoramento dos níveis de radiação. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o governo pensa em construir outras quatro usinas.Resultado da enquete:Sim> 67%Não> 33%   'Não cumprimos nem as condutas ambientais das instalações existentes' - JOSÉ PAULO TÓFFANODEPUTADO FEDERAL (PV-SP) A maioria dos países desenvolvidos ou está desativando gradativamente suas usinas nucleares ou mantém moratória, sem novas construções. O Brasil, na contramão, propõe reativar seu programa nuclear. Essa nova iniciativa traz sérias implicações, uma vez que exige pesados investimentos na mineração do urânio, no seu beneficiamento, no processo de enriquecimento e na fabricação do combustível para as usinas. O ganho também é fundamental para dar viabilidade a essa fonte de energia. Isso implicaria a construção de outros reatores, além de Angra 3. Ainda que se deixe de embutir custos como as dívidas da construção de Angra 1 e 2, o preço final da energia nuclear é muito alto. E o que faremos com os dejetos radioativos? Não conseguimos nem ao menos cumprir as condutas ambientais das instalações já existentes. Seria muito mais interessante realizar pesquisas sobre tecnologias limpas e seguras. Poderíamos, paralelamente, buscar a repotenciação de hidrelétricas mais antigas e atuar em conjunto com fontes renováveis como biomassa, solar e eólica.   'Angra 3 põe a energia nuclear na agenda da engenharia nacional'  - MAURÍCIO TOLMASQUIMPRESIDENTE DA EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE) O Brasil é um país afortunado porque concentra um vasto potencial - entre os maiores do planeta - de fontes de energia renováveis: hidrelétrica, eólica e bioeletricidade. Delas, contudo, apenas a hidráulica pode funcionar de maneira contínua e ininterrupta. As projeções do Plano Nacional de Energia 2030 confirmam que, a longo prazo, o potencial hidrelétrico nacional se aproximará do esgotamento. Nessas circunstâncias, sem prejuízo do uso das demais fontes renováveis e dos incentivos à eficiência energética, as opções que restam são: as térmicas convencionais, utilizando gás natural e carvão mineral, e as usinas nucleares. As primeiras têm custo maior e elevam muito as emissões de gases, um contra-senso em tempos de preocupação crescente com o aquecimento global. A retomada de Angra 3 é, assim, estratégica. Deslancha um projeto interrompido há 20 anos e recoloca a energia nuclear na agenda da engenharia nacional, o que simboliza um importante passo na busca da auto-suficiência do suprimento de combustível e da solução para o tratamento dos rejeitos.

Tudo o que sabemos sobre:
ANGRA 3

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.