O Levi Strauss da calça jeans

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O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2009 | 00h42

Para quem começou a fazer blog outro dia e está tentando entender a história de Claude Lévi-Strauss do fim para o começo, ou seja, a partir de sua morte, cuidado com o que escreve, hein! Que fique claro, de cara, o seguinte: "Liberdade é uma calça velha azul e desbotada" não é o clássico "pensamento selvagem" do autor de Tristes Trópicos, ok? A marca Levi Strauss & Co., impressa na etiqueta de couro do mais antigo blue jeans do mundo, nada tem a ver com o caráter revolucionário do pai do estruturalismo antropológico, esse que acaba de nos deixar, aos 100 anos de idade.

Ainda que hoje em dia todo índio tenha uma calça jeans estabelecendo a chamada "ponte entre as sociedades tribais e os homens modernos", o mito Levi''s leva assinatura de um Levi Strauss do tempo em que o nome não tinha hífen ou acento. É dele que vamos aqui falar.

Levi Strauss, o pai da calça jeans, nasceu na Alemanha 90 anos antes do xará pensador francês. Sua família emigrou para os EUA em 1847, atraída por parentes que comercializavam tecidos em Nova York. A Levi Strauss & Company pegou carona na corrida do ouro na Califórnia para vestir os garimpeiros com tecido de lona de barraca costurado com o reforço de rebites de cobre. Em 1890, a Levi"s criou seu modelo mais famoso, a calça 501, transformando-se em negócio mais rentável que o próprio ouro.

O inventor do jeans tal qual o conhecemos ainda hoje morreu em setembro de 1902, deixando seu índigo império para quatro sobrinhos. Não é justo que sua marca comercial vire agora uma vaga referência de homenagem têxtil à revolução de ideias pregadas por Lévi-Strauss, o antropólogo, mais ou menos na época em que a liberdade poética transformou a calça de brim em indumentária de gente que vai à luta.

Uni-vos!

A esquerda arrumou, enfim, o que fazer quando não dá praia no Rio: vai à luta para trocar o nome do marechal Floriano Peixoto pelo do guerrilheiro Carlos Marighella nas placas da praça que todo carioca conhece como Cinelândia, no centro.

Dialeto próprio

Aconteceu o que o torcedor sul-africano temia: reapresentados a Carlos Alberto Parreira, os ''Bufana Bufana'' não entendem mais nada do que o técnico diz em inglês. Já se fala em Johanesburgo na recontratação de Joel Santana como intérprete.

Flagrante

Um brasileiro que entrou distraído num restaurante de Paris e tarde demais percebeu ter sentado próximo à mesa compartilhada por Boni e Aloizio Mercadante, saiu do almoço horrorizado com a conversa. "Os caras só pensam naquilo, caramba!"

Proteção

A descoberta científica de que os caranguejos machos protegem suas vizinhas de invasores em troca de sexo, conforme estudo publicado no Biology Letters, pode ajudar a amenizar o problema de insegurança da classe média nas grandes cidades brasileiras. Se todo mundo transasse com todo mundo nos condomínios, talvez houvesse mais solidariedade para enfrentar os perigos que vêm de fora. Não custa nada tentar, né?

Pata-fria

A derrota de Barack Obama no primeiro teste eleitoral após a posse na presidência pode respingar no primeiro-cão da família. Desde que Bo chegou à Casa Branca, nada mais deu certo no governo. O problema tem solução. Falta ainda arrumar uma boa desculpa para dar às crianças sobre o desaparecimento do cachorro.

Biscoito fino

Já tem gente na oposição articulando a formação de uma nova chapa puro-sangue para disputar a Presidência. Só falta convencer Caetano Veloso a ser vice de FHC.

Traumalina

Sem que ninguém lhe perguntasse nada a respeito, Dilma Rousseff fez questão de negar que teria agendado um encontro secreto com a cantora Madonna para os próximos dias. "Quem vai estar com ela em sigilo é o Sérgio Cabral!" - esclareceu a ministra.

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