O mal é masculino!

Mulher se dá conta de coisas inimagináveis pelos homens. Imagina que, para celebrar o fato de ser a primeira representante do gênero a abrir uma assembleia-geral das Nações Unidas, Dilma Rousseff exerceu tal pioneirismo destacando do alto da tribuna que, na língua portuguesa, palavras como vida, alma, esperança, coragem e sinceridade são femininas.

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h08

Isso talvez explique por que a presidente já vinha chamando corrupção de malfeito. Na troca de um substantivo por outro, sem que ninguém se desse conta, Dilma masculinizou a "pouca vergonha" ministerial, provavelmente já pensando no mote de sua estreia histórica na Organização das Nações Unidas.

O elogio ao feminino está virando uma obsessão presidencial. Dizem que, na dúvida entre desvio ou roubalheira, ela não terá dúvida em reconhecer publicamente pela designação masculina o que for preciso varrer de seu governo. Na República do Feminino, pois, propina será sempre tratada por suborno; desfaçatez por descaramento; conversa-fiada por papo furado...

"A voz da democracia", como lembrou a presidente na ONU, "é feminina", gênero comum em nosso idioma a palavras de ordem substantivas como liberdade, igualdade e fraternidade, sem falar na preguiça, na praia e na caipirinha.

No universo predominantemente masculino da Praça dos Três Poderes, destacam-se termos como mensalão, baixo clero, calote, conchavo, lobby e trambique, sem falar no Sarney, no ar seco e, de maneira mais abrangente, no fim do mundo!

Pela linha de raciocínio que Dilma desenvolveu na ONU, só duas expressões não se enquadram nessa dicotomia: "picaretas" e "caras de pau" são comuns de dois gêneros.

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