O mundo-cão já não é mais aquele

Para quem não esperava mesmo mudanças da água pro vinho, assim, de uma hora pra outra, até que o mundo-cão ganhou abordagem nova no noticiário mais rápido do que se esperava depois da eleição de Barack Obama nos EUA. Repara só: está todo mundo falando pra cachorro, e não só sobre o cachorro que virou "assunto importante" no discurso da vitória, em Chicago, do qual falaremos mais adiante. A imprensa publicou esta semana matérias sobre os cães que aderiram à obamamania em Paris; os bichos de estimação que sofrem com a crise financeira em Nova York; a mordida que o cachorrinho de George Bush deu no dedo de um repórter diante das câmeras de TV, em Washington; o jeito como Susana Vieira botou o namorado pra fora de casa no Rio; a morte na Califórnia, vítima de câncer de pele, do cão mais feio do mundo (tinha, entre outras coisas, um olho e três pernas); e, como se não bastasse, Gerald Thomas levou aos palcos de São Paulo os ensaios de O Cão que Insultava as Mulheres.No centro das atenções, claro, o cachorrinho meio vira-lata, meio hipoalergênico que Barack Obama procura obstinadamente para cumprir uma promessa de campanha feita a suas filhas, Sasha e Malia. Dezenas de sugestões de especialistas de todo mundo circularam pela mídia, mas nenhuma tão surpreendente quanto o cão sem pêlo do Peru, cuja associação de amigos só aguarda autorização da embaixada americana em Lima para despachar uma amostra grátis da espécie para os EUA, aos cuidados do futuro presidente. Trata-se de um legítimo descendente de uma ninhagem pré-hispânica preferida dos reis incas, que pelo visto também sofriam de alergia. Ou não teriam um animal doméstico que, além de pelado por recomendação médica, é desdentado e orelhudo por natureza.Não fosse a maldita alergia de Malia, "nossa preferência seria ter um cachorro abandonado", disse Obama, suscitando novas reportagens sobre o drama dessa raça desgraçada: só em Nova York, deu na BBC, 44 mil animais domésticos são abandonados a cada ano. E cresce, com a crise, o número de famílias que deixam seus cães em abrigos porque não têm como sustentá-los. São desafios da era Obama que começam a ser encarados de frente. No mais, deu muito o que falar no noticiário a cotação de Hillary Clinton para ser a Condoleezza Rice de Barack Obama. O próprio Bill Clinton ficou exultante com a possibilidade aventada pelo Washington Post. O ex-presidente confessou a amigos que se daria por satisfeito se, nessa função, a senadora passasse fora dos EUA a metade do tempo da atual secretária de Estado. Papo de pinto no lixo! Se bem que, se pintarem umas cachorras... A favorita de 2010Em entrevista coletiva a jornalistas das cinco maiores publicações da Itália, o presidente Lula disse em Roma que ainda não comentou com a ministra Dilma Rousseff que ela é sua candidata preferida a sucedê-lo no Palácio do Planalto em 2010. Culpa, decerto, da falta de tempo para isso. A última vez que os dois tiveram oportunidade de conversar mais longamente, aliás, não se falou de outra coisa senão o último capítulo da novela A Favorita. Marca importanteÉ preciso ainda checar as contas, mas, ao que tudo indica, José Alencar completou na última sexta-feira um total de mil horas no exercício da Presidência da República em 2008. Fogo amigoO serviço secreto responsável pela escolta da Presidência da República nos EUA já está montando esquema especial para o sucessor de Bush na Casa Branca. Para efeito de comunicação entre seus agentes, deu a Barack Obama o codinome "Renegado", cujo significado substantivo no dicionário Aurélio aponta um indivíduo "odiado, execrado, desprezado, rejeitado e mau". Nem a republicana Sarah Palin foi tão dura com o homem.A F-1 vista por trásAinda sem vaga assegurada para a temporada 2009 de Fórmula 1, Rubinho Barrichello já decidiu: parado totalmente ele não fica. Em último caso, vai escrever toda a verdade sobre sua passagem pela Ferrari. Diz ele que ninguém faz a menor idéia do que aconteceu. O próprio Michael Schumacher, sempre lá na frente, não via o que rolava nos bastidores do "circo".  

Tutty Vasquez, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 21h23

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