O neto genérico TUTTY VASQUES ESCREVE TODOS OS DIAS NO PORTAL, DE TERÇA A SÁBADO NO METRÓPOLE E AOS DOMINGOS NESTE CADERNO.

Concorrência desleal

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2011 | 03h09

Já tem gente ficando com ciúmes no PMDB: ultimamente, de fato, a presidente Dilma está atendendo a todos os caprichos da Fifa.

Especialidades da casa

A PepsiCo, fabricante do Toddynho com soda cáustica, resolveu diversificar sua linha de produtos no Sul do País: um menino de Joinville (SC) achou um pequeno rato morto no pacote de salgadinhos Elma Chips.

Tradição ianque

Como disse Obama sobre o suposto complô do Irã para matar um diplomata saudita, "não teríamos apresentado o caso a menos que soubéssemos exatamente como provar as denúncias". Lembra das armas químicas que os americanos foram buscar no Iraque?

Stand-up

Morreu José Vasconcellos, o gaiato-zero do moderno humor brasileiro.

Primo rico

Se Guido Mantega contar lá fora que o Brasil aprovou essa semana uma lei que concede ao trabalhador demitido aviso prévio de até 90 dias, capaz de os gringos acharem que o ministro está gozando da pindaíba deles.

Já ganhou!

O favoritismo absoluto de Cristina Kirchner nas eleições argentinas renderam apelido novo à presidente em Buenos Aires: "Mulher Barbada".

MSTour

A novíssima classe média brasileira ganhou um segmento camponês. Tem militante do MST passando férias no movimento Ocupar Wall Street.

Três em um

Para sobreviver à faxina da Dilma, a ministra Ana Hollanda, da Cultura, resolveu cumprir à risca a orientação de austeridade da presidente: juntou numa só festa os centenários de nascimento de Nelson Cavaquinho, Lélia Abramo e Mário Lago.

Tarja preta

As eleições em São Paulo poderão ter no segundo turno o debate Fernando Haddad x Henrique Meirelles na TV. Melhor que jogo da seleção para quem sofre de insônia.

Se fosse neto de Odorico Paraguaçu, Bruno Covas teria ido de branco ao Conselho de Ética para ser mais claro sobre o que quis dizer com o que efetivamente disse a respeito da praxe de propina parlamentar na elaboração de emendas ao Orçamento do Estado que já foi governado por seu verdadeiro avô.

Como São Paulo não é Sucupira, bastou mandar uma cartinha à Assembleia Legislativa na terça-feira passada explicando que fez confusão entre o real e o hipotético ao ser indagado sobre corrupção. "Acabei narrando exemplo como fato." Entendeu?

Se fosse neto de Joseph Goebbels, Bruno Covas teria escrito, parafraseando aquele famoso axioma do falso avô sobre mentiras que viram verdades: "Um exemplo repetido mil vezes em palestras vira fato numa entrevista".

Há dois meses, perguntado por jornalista do Estadão se já havia passado pelo constrangimento de proposta de propina, o atual secretário do Meio Ambiente de SP respondeu: "Ah, já! Uma vez consegui uma emenda parlamentar de R$ 50 mil para obra de um município e, convênio assinado, o prefeito veio me perguntar com quem deixava os R$ 5 mil". E ainda se gabou do encaminhamento que deu ao assunto: "Doa para a Santa Casa, eu não vou ficar com isso" - eis o "exemplo" que, naturalmente, foi tomado como fato no noticiário.

Se fosse neto do José Dirceu, Bruno Covas teria acusado a grande imprensa golpista de deturpar suas palavras quando a declaração voltou à tona mais recentemente a reboque do escândalo da venda de emendas parlamentares detonado pelo deputado Roque Barbiere.

Bruno Covas, ao contrário, sustenta o que disse, mas, a despeito dos fatos, escora-se no DNA do maior de seus exemplos: "Minha manifestação teve a única finalidade de reafirmar o princípio que abracei inspirado no exemplo que pude testemunhar desde a mais tenra idade". Vovô Mário deve estar orgulhoso e preocupado com a citação. Esse menino podia ser neto de qualquer um!

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