'O New Deal Verde é uma oportunidade para que se estabeleça um amplo esforço cooperativo'

carta aberta aos líderes do G-20

Renato Tagnin, prof. de Gestão Ambiental do Centro Universitário Senac-SP, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2009 | 00h14

O que temos a perder aderindo ao New Deal Verde, proposto pela ONU para enfrentar a crise ambiental e econômica global? Nunca fez sentido para os países mais pobres e vulneráveis à degradação submeterem-se ao "desenvolvimento" baseado no esgotamento ambiental, compra custosa de veneno e sucata e venda de mão-de-obra, saúde e expectativa de vida quase de graça. Nossas "elites" sempre aproveitaram a "vantagem competitiva" desses reduzidos custos de produção, queixando-se de "gargalos": os impostos gastos com o social e a infraestrutura que limita o escoamento para fora das riquezas dos nossos países (eternas colônias?). Para não reduzir margens de lucro gigantes, preferem liquidar ativos ambientais e "flexibilizar" - só para baixo - direitos trabalhistas. Se os países desenvolvidos, beneficiários de sempre, enfim reconhecem a necessidade de recuperar todas as condições ambientais possíveis para sobrevivermos, o que ainda falta para valorizarmos nossos ativos? Esse New Deal Verde pode ser uma rara oportunidade de estabelecermos as condições básicas e o respeito mútuo, necessários a um amplo esforço cooperativo. No G-20 temos o que sobrou da natureza no planeta e toda essa gente aí, criativa, com fome de tudo e capaz de superar grandes obstáculos. É preciso aproveitar essa energia, que nunca precisou de grandes obras para ser gerada. Trata-se de "virar o jogo", tributando a economia que liquida esse patrimônio e incentivando aquela colaborativa, que se expande apesar de todos os obstáculos. Ampliar os protagonistas e beneficiários poderá, ainda, diminuir a influência política de grupos, corporações e assessorias especializadas na via de mão única, sem saída. Não precisamos de "bons gerentes", dedicados a prover benefícios no curto prazo para poucos. O curto prazo já acabou e todos poderão ser poucos. A partir de agora, só admitiremos estadistas.

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