O que pensam os especialistas

"O Estado deve garantir o acesso a todos os anticoncepcionais seguros"DULCELINA V. XAVIER SOCIÓLOGA E MEMBRO DA ONG CATÓLICAS PELO DIR. DE DECIDIRSim. O governo pode e deve distribuir a contracepção de emergência durante o carnaval, desde que isso seja feito por profissionais de saúde, com as devidas informações sobre o uso. A pílula não substitui o uso da camisinha. É um recurso eficaz e seguro para evitar gravidez indesejada e não é abortiva, conforme literatura recente e especializada. É obrigação do Estado garantir o acesso a este e a todos os outros métodos anticoncepcionais seguros para que as pessoas possam ter uma vida sexual livre e com saúde, com meios para optar em relação à reprodução. Nenhuma religião tem o direito de tentar impedir o acesso da população a um procedimento que pode evitar uma gravidez indesejada, o que em muitos casos pode significar evitar futuros abortos e até mortes de mulheres. Como católica, acho importante enfatizar que o nosso Estado é laico e deve fazer políticas de saúde para todas as pessoas, respeitando aquelas que professam outras religiões e também aquelas que não aderem a nenhuma religião."Não é questão de saúde pública, pois gravidez não é doença"TALMIR RODRIGUESMÉDICO E REPRES. DA FEDERAÇÃO INTERNAC. DO DIREITO DE VIVERNão concordo. Além da ação contraceptiva, essa droga tem também o efeito antinidação, ou seja, impede que o embrião se fixe ao útero. Uma mulher pode ficar grávida poucas horas após a relação sexual. A pílula pode ser tomada até 72 horas depois. Ou seja, a vida surge e é interrompida. Trata-se, portanto, de efeito abortivo. A droga é vendida, sobretudo, em países em que o aborto é legalizado, independentemente do motivo. No Brasil, ele só é permitido em casos de estupro ou de risco à vida da mãe. Logo, a distribuição indiscriminada dessa droga é inconstitucional. Ao utilizar recursos públicos para promover o uso da pílula, o governo corre o risco de ter que indenizar mulheres que, eventualmente, venham a ter problemas decorrentes da ação do hormônio em seu organismo, ou que se arrependam de ter usado o método ou ainda que tenham crianças com malformação devido ao uso da pílula. O argumento de que se trata de uma ação de saúde pública não é válido, pois gravidez não é doença e a pílula não é remédio. Remédio é feito para curar, para tratar, e a pílula do dia seguinte destrói a vida.

O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2008 | 11h23

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