O que pensam os especialistas

"Quanto mais contundente a advertência, melhores os resultados"RICARDO MEIRELLESPNEUMOLOGISTA E MEMBRO DO INST. NAC. DO CÂNCER - INCAA mudança nas imagens dos maços de cigarro é uma das estratégias do Inca e da Anvisa para controlar o tabagismo. As fotos, por si só, podem até não fazer com que as pessoas parem de fumar. Porém, os efeitos do tabagismo serão lembrados. Queremos que o fumante pense duas vezes antes de acender um cigarro. O fumo mata 200 mil brasileiros todo ano. Ao se deparar com essas imagens de impacto, haverá, no mínimo, um desconforto ao fumar. Nossa idéia é provocar uma dupla reflexão nas pessoas: de um lado, desestimular o interesse dos jovens; do outro, estimular os fumantes a largar o fumo. Claro que, por causa das imagens, alguns podem até deixar de fumar. Mas, como estamos lidando com dependentes de nicotina, essas pessoas vão precisar de tratamento médico e psicológico. Quando as primeiras imagens foram lançadas, em 2001, uma pesquisa mostrou que 67% dos fumantes sentiram vontade de parar. Então, quanto mais agressivas as advertências, melhores resultados serão obtidos."Tratando-se de fumantes, a suposição passa a ser simplista"LEILA CURY TARDIVOPSICÓLOGA E PROFESSORA DO INST. DE PSICOLOGIA DA USPO fundamento da proposta do Ministério da Saúde é, por meio do medo e da angústia, tentar impedir, ou reduzir, o consumo do tabaco. É verdade que esse estímulo pode ajudar alguns fumantes a mudar seu comportamento, ou, mais ainda, a deixar o vício. Porém, tratando-se de fumantes, a suposição é simplista. Caso contrário, outras campanhas que usam do mesmo mecanismo já teriam apresentado bons resultados. Além da propaganda antitabagista, muitos alertas a respeito do álcool ou das drogas usam essa idéia da possibilidade da morte. Mesmo assim, o consumo continua elevado. É importante frisar que existem aspectos que escapam ao controle racional das pessoas. O mecanismo de negação, por exemplo, faz com que o fumante pense: "Comigo isso não vai acontecer". A busca de prazer ou do alívio da angústia que um cigarro pode trazer é bem maior que a repulsa provocada pelas fotos. A campanha não deve ser abolida, mas é importante deixar claro que lidar com um vício é uma situação complexa e exige muito mais que imagens.

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