O que pensam os especialistas

''Com a metade do custo, o governo poderia fazer quilômetros de metrô''MARCUS QUINTELLAPROF.-DOUTOR EM TRANSP. DO INST. MILITAR DE ENGENHARIA - IME Não sou contra o trem-bala Rio-São Paulo e não tenho dúvida que a ferrovia tem um papel estruturador e desenvolvimentista. Porém o Estado brasileiro não tem capacidade de implantar trens de alta velocidade somente com recursos próprios, tendo em vista os outros anseios mais prioritários da sociedade. Não há demanda para garantir retorno ao investimento exclusivo do setor privado, nem garantias para os riscos do projeto, como manutenção das regras contratuais e continuidade político-administrativa. O desafio está em encontrar a melhor modelagem econômico-financeira para que o trem-bala possa produzir retorno ao capital privado e, ao mesmo tempo, ser uma vantagem para a sociedade. Deve-se considerar a conveniência atual do projeto, uma vez que as próprias cidades do Rio e São Paulo carecem de eficientes sistemas de transporte urbano. Com a metade do custo dessa obra, o governo poderia construir dezenas de quilômetros de linhas de metrô, que trariam benefícios sociais, econômicos e ambientais maiores e mais abrangentes que os do trem-bala.''O trem ajuda a desafogar os outros meios de transporte''TELMO GIOLITO PORTOPROF. DOUTOR DE PLAN. E OP. DE TRANSPORTES DA POLI-USPA dilatação do prazo de implantação do Trem de Alta Velocidade entre Rio e São Paulo é perfeitamente compreensível. Os investimentos são vultosos e, neste momento de crise financeira internacional, como saber se haverá dinheiro disponível e empreendedores interessados? A presença de capital público e privado é vital para que o projeto seja viabilizado. Claro que o trem trará uma série de benefícios, como a redução da poluição, geração de renda, criação de empregos diretos e indiretos, entre outros. O trem também ajuda a desafogar as outras opções de viagem (rodovia, aviação e ferrovia), o que reduziria os congestionamentos nos grandes centros. Há ainda as possibilidades de lazer que esse meio de transporte vai oferecer. Com a aproximação das metrópoles, reflexos culturais e econômicos vão ser sentidos por todos. E, por fim, embora o Brasil já domine as tecnologias envolvidas, o Trem de Alta Velocidade permitirá a formação de uma geração de especialistas ferroviários, além do resgate cultural da imagem dos trens junto à população.

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 21h26

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