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O que pensam os especialistas

''Apenas o equipamento não melhora o desempenho dos alunos na sala de aula''Paulo Renato Souza Deputado federal e ex-ministro da Educação   A tecnologia da informação entrou em nossas vidas de forma rápida e definitiva nos últimos 20 anos. É uma realidade que a educação não pode ignorar, devendo incorporá-la no dia-a-dia dos processos pedagógicos. Entretanto, o custo do uso da informática nas escolas é elevado e não há evidências empíricas que atestem que só a introdução do computador na sala de aula melhore o desempenho dos alunos. Ainda faltam métodos pedagógicos eficazes que permitam extrair da tecnologia os benefícios que ela certamente trará para melhorar a qualidade educativa. Por isso é preciso ser seletivo e exigente na definição dos projetos na área. Talvez estivéssemos em melhor posição se o Ministério da Educação não tivesse abandonado o Proinfo, que previa a informatização de todas as escolas de ensino médio da rede pública do Brasil com recursos do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações), que engordaram o superávit do Tesouro Nacional nos últimos seis anos. Seguindo uma linha mais correta, aquele projeto havia começado com a criação de polos em todo o Brasil para o desenvolvimento de métodos de ensino e o treinamento de professores. Contudo, é inegável que a compra de um computador por aluno tem apelo publicitário, o que nem sempre é bom para os alunos e a educação.   ***''O computador na escola é plenamente justificado, desde que haja condições de uso'' Fátima Regina Pires de Assis Coordenadora de Educação e Formação da Faculdade de Psicologia da PUC-SP É inegável a contribuição ao ensino que pode ser oferecida pelo uso adequado de programas apresentados por computador. Também é fundamental o acesso a novas tecnologias, que deve ser oferecido pela escola, notadamente aos que têm nela a única oportunidade de acesso a tais tecnologias. No entanto, são raras as instituições públicas de ensino básico que possuem computadores disponíveis. Muitas vezes eles são subutilizados com jogos, alguns softwares chamados de "educacionais", sem nenhuma articulação com o conteúdo oferecido e navegações pela internet sem objetivo algum. Dessa forma, o investimento com computador na escola é plenamente justificado, desde que sejam oferecidas as condições de uso: treinamento do professor não só na operação do computador, mas nas possibilidades de uso e de articulação com o currículo. Porém o investimento específico em notebooks é uma sofisticação, com um investimento inicial altíssimo, principalmente se olharmos para as poucas verbas disponíveis no País para a educação. Tal investimento poderia ser utilizado na formação de professores, incluindo o uso de novas tecnologias, aproveitando-se os equipamentos nos quais já houve um investimento, ou, ainda, investindo, sim, em equipamentos de uso coletivo, o que beneficiaria maior número de crianças nas salas de aula.

O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2009 | 00h42

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