O que pensam os especialistas

''Qualquer ação que limite a liberdade não é uma boa ideia''

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 20h36

MARIO QUEIROZ

ESTILISTA E COORD. DO CURSO DE MODA DA UNIV. ANHEMBI MORUMBI

A escolha de um modelo para um desfile nunca é simples. A seleção busca entre os bons profissionais aqueles que representam o ideal da coleção. A questão da inclusão sempre é importante num País que tem uma história como a nossa. É essencial que o Estado se ocupe em dar iguais possibilidades a todos os cidadãos, principalmente às camadas mais pobres da população. Todos os que acreditam na importância de aumentar o número de negros nos trabalhos de moda, deveriam investir em cursos, palestras e concursos. Prepararíamos não só negros, mas todos que, tendo talento, encontram dificuldades para se profissionalizar. Deveríamos também aumentar o espaço de debate sobre cultura e preconceito. Não podemos ter uma postura inocente, tampouco autoritária. Outras áreas envolvidas devem buscar entender o que significa moda, em toda sua complexidade. Se ela chegou a este patamar foi graças aos profissionais criativos e talentosos que puderam trabalhar com liberdade. Qualquer ação que limite a liberdade não pode ser considerada uma boa ideia.

?O papel da moda é refletir o contexto socioeconômico e cultural?

ANDRÉIA MIRON

PROF. DO CURSO DE MODA DA FACULDADE SANTA MARCELINA

Sob o aspecto profissional, a moda é recente no Brasil. As faculdades existem há pouco mais de duas décadas e os grandes eventos nacionais surgiram nos anos 90. O Brasil é marcado pela miscigenação; temos a mulata, negra, oriental, índia e a branca. Hoje, percebemos que não é na cultura europeia que vamos encontrar nossas raízes. E o papel da moda é justamente esse: refletir o contexto socioeconômico e cultural nas coleções. O padrão da brasileira não pode ser inspirado apenas no estereótipo de modelos como Gisele Bündchen. A inclusão do branco no mercado da moda é maior que a do negro, mas isso não significa que ele não esteja incluso. Não é por meio de cotas que a participação do negro e de outras raças vá aumentar. O processo ocorre naturalmente. Porém, como toda discussão é valiosa, quanto mais se debater sobre a importância da diversidade nas passarelas, mais rápido se dará a mudança. Já vemos resultados: agências procuram por novos talentos e grandes eventos impulsionam carreiras.

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