O que pensam os especialistas

>>"Como um guarda vai parar um assalto com spray de pimenta?"

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2009 | 03h09

CARLOS AUGUSTO SOUSA SILVA

ESPECIALISTA EM SEG. PÚBLICA E PRES. DO SINDGUARDAS-SP

Desarmar a GCM significa comprometer a segurança da população. Ainda mais em São Paulo, um município extremamente violento. É importante ressaltar que qualquer profissional precisa se sentir seguro para estar apto a defender o cidadão. A Secretaria de Segurança Urbana diz que a redução do uso de armas letais vai diminuir os acidentes decorrentes de ações policiais malsucedidas. No entanto, nos 23 anos da GCM, menos de 23 pessoas foram lesadas. A taxa de letalidade é baixíssima. E por que não desarmar o efetivo da Polícia Militar, que tem registros mais altos que os nossos? Fica claro que a secretaria tomou a decisão com base na emoção, numa resposta rápida à sociedade que viu vítimas inocentes serem penalizadas por erros policiais. Contudo, não é desarmando o efetivo da GCM que essas questões serão resolvidas. Como um guarda vai intervir num assalto com spray de pimenta? É ilusão acreditar que a segurança possa ser feita sem armas letais. Vamos à Justiça para que nenhum guarda seja exposto à criminalidade de São Paulo sem estar equipado para se defender.

>>"O uso de armas de fogo não garante proteção alguma"

DENIS MIZNE

DIRETOR EXECUTIVO DO INSTITUTO SOU DA PAZ

A maior parte do contingente da GCM atua em escolas, parques, praças e ruas do centro da cidade. A vocação fundamental da Guarda Civil é executar o policiamento comunitário. Ela faz patrulhamento a pé, conversa com comerciantes e moradores, dá orientações quanto ao uso do espaço público. Nesse sentido, a utilização generalizada de armas de fogo coloca em risco tanto os profissionais de segurança quanto a população. Ainda que um caso de violência grave ocorra, o uso de armas letais geraria, na melhor das hipóteses, pânico. Na pior, vítimas inocentes. É preciso transformar a ideia de que o uso de armas de fogo significa proteção. Garantir segurança por meio da força e do combate não é o melhor caminho. O sucesso da GCM está no seu potencial para ações comunitárias. Vale lembrar que 50% do efetivo continuará armado e que podemos contar com o apoio da Polícia Militar - com contingente quase seis vezes maior - para fazer o enfrentamento, quando necessário. A redução do número de armas da GCM nos deixará mais seguros.

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