Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

O que pensam os especialistas

"O diálogo é mais recomendado do que a simples proibição"

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2009 | 03h02

ASCÂNIO JOÃO SEDREZ

DIRETOR EDUCACIONAL DO COLÉGIO MARISTA ARQUIDIOCESANO

A visão de sexualidade que paira no ar quando se fala das "pulseiras coloridas" certamente é problemática. Ao surgir o assunto em nossa escola, trazido pelos estudantes, especialmente meninas de 7 aos 11 anos, acreditamos que esta seria uma pauta importante para a conversa entre pais e filhos. Buscamos informações sobre esse modismo e contatamos os pais, pedindo-lhes que ampliassem o horizonte de seus filhos acerca deste assunto. O uso do adereço não foi proibido na escola para não interferir nas decisões da família. As conversas em sala provocadas pelas pulseiras e a partir dos questionamentos dos estudantes nos permitiram também apontar para outra visão possível sobre a sexualidade humana: a linguagem do afeto, do respeito, a consideração pela diferença, o acolhimento do outro, o cuidado e o amor. A acolhida das crianças e adolescentes, a escuta do que eles nos têm a dizer, a informação e o diálogo são atitudes muito mais recomendadas do que a simples proibição. O proibido, sempre, é a omissão!

"Pela escolha caber ao menino, o jogo é um retrocesso às conquistas feministas"

MIRIAM DEBIEUX ROSA

PSICANALISTA, PROF. DE PSICOLOGIA DA USP E DA PUC-SP

O jogo gera estranheza por estar no universo de pessoas em processo de desenvolvimento formativo e educativo. Envolve a relação entre os gêneros, em que a menina escolhe uma prática sexual desvinculada do laço com um parceiro específico e em que a supremacia da escolha da prática sexual cabe ao menino, que passa a ter direito de seu usufruto junto ao sexo feminino - um retrocesso às conquistas feministas neste campo. Envolve a concepção de sexo dividido em práticas estanques, com jogo sexual anônimo, sem palavras e com a exposição da vida íntima. Desde Freud sabemos que a sexualidade infantil transcende as práticas sexuais e está entranhada no desejo de viver, na curiosidade para aprender, na criatividade e na capacidade de articular laços sociais, amorosos e sexuais com o outro, este estranho semelhante, que nos incita com seus enigmas. Pais e professores são os diretamente responsáveis pela educação e devem avaliar as particularidades das situações e tomar as atitudes que acharem corretas, lembrando que só proibir sem conversar não funciona.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.