O que pensam os especialistas

''''A Igreja percebeu a necessidade de imitar Jesus em sua entrega plena''''PADRE JUAREZ DE CASTRO, SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULONão. O celibato é um valor que a Igreja descobriu ao longo do tempo. Apesar de não ter sido uma obrigação até o século 6º, a Igreja constatou que o celibato é um valor e a norma disciplinar foi introduzida tempos depois. No início, os padres se casavam. Alguns apóstolos de Jesus eram casados. Mas a Igreja foi percebendo a necessidade de imitar Jesus em sua entrega plena. Uma vez que ele havia optado pelo celibato, o padre também o faria. Além disso, o celibato faz com que o padre esteja totalmente disponível ao povo que lhe é confiado e lhe dá condições de não restringir seus cuidados somente a uma família, deixando-o à disposição da comunidade. O celibato na vida do padre não é um brado contra o casamento, pelo contrário, o sacramento do matrimônio é um sinal da aliança de Deus e a humanidade, que a Igreja louva e incentiva. Assim, o casal que vive seu matrimônio o vive como sinal desse amor de Deus pela humanidade. O celibato para o padre não é um fardo pesado a ser carregado a contragosto, mas uma carga leve e suave assumida com amor e desprendimento. ''''A exigência tem em sua raiz uma visão negativa da sexualidade''''MARIA JOSÉ ROSADO NUNES, SOCIÓLOGA E PROFESSORA DA PUC-SPSou favorável ao fim da obrigatoriedade do celibato para sacerdotes. A exigência do celibato para exercício do sacerdócio não faz parte da doutrina ou da fé católica. Trata-se de uma norma disciplinar da Igreja, imposta séculos depois do início do cristianismo. Portanto, é passível de mudança. Essa exigência tem em sua raiz uma visão negativa da sexualidade humana, considerada legítima apenas quando exercida para a procriação e não para o prazer. Expressa a forte associação entre sexo e pecado na moral sexual cristã. Além disso, a manutenção dessa obrigatoriedade reitera a concepção das mulheres como poluidoras do sagrado, uma vez que um padre, ao casar-se, é imediatamente excluído da possibilidade de ligar a comunidade com Deus. Seu vínculo com uma mulher o impede de realizar essa função. É errônea, ainda, a idéia de que o livre exercício da sexualidade impeça maior dedicação à religião. Pelo contrário, é exatamente a repressão ao sexo que leva a práticas clandestinas de todo tipo, fonte de grande conflito para os sacerdotes e de sofrimento para as mulheres, no caso de relações heterossexuais.

O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 23h04

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