O que pensam os especialistas

"A nova estratégia tem inovações com alto potencial de eficácia"FREDERICO A. TUROLLA, SÓCIO DA PEZCO CONSULTORIA E PROFESSOR DA ESPM E FGV-SPA atual administração federal registra histórico de graves erros nas políticas para infra-estrutura. Exemplos incluem ataque sistemático a boas práticas de regulação e piora na gestão de entidades estratégicas, como a Infraero. O resultado é um grande desarranjo no transporte aéreo. Em vista de tal histórico, é natural que novas iniciativas sejam recebidas com ceticismo. A nova estratégia, entretanto, tem inovações com alto potencial de efetividade. Primeiro, há sinais de mudança de orientação na área regulatória, com a indicação de especialistas de alto gabarito. Segundo, as novas medidas contêm instrumentos de incentivo econômico que, apesar de poderosos, têm sido pouco utilizados na infra-estrutura brasileira. Em particular, criam estímulos para alocação eficiente do recurso mais escasso da aviação, o espaço nos aeroportos centrais em horários críticos. A experiência com incentivos econômicos pode oferecer exemplo para a superação de outros gargalos de infra-estrutura brasileira. Há risco, porém, de prevalência da visão política sobre a técnica."Ao lotear cargos técnicos, o governo se tornou o próprio apagão"GIANFRANCO BETING, EDITOR DO WWW.JETSITE.COM.BR E ESPECIALISTA EM AVIAÇÃOAs medidas são demagógicas e ineficazes. Não combatem o problema crucial do setor: a ineficiência e insuficiência da infra-estrutura. Faltam radares, pistas, pátios e balcões nos aeroportos, sistemas de auxílio à navegação e controle de tráfego aéreo. Falta uma clara definição de políticas para o setor. De prático o governo nada fez, desde o acidente da Gol, para efetivamente adereçar estas prementes questões. Ao contrário: medidas como o esvaziamento de Congonhas ou a elevação de tarifas nos dois principais aeroportos de São Paulo apenas agravam o quadro. Os efeitos são devastadores: perda de valor das ações das aéreas nas bolsas; investimentos em frotas protelados ou até cancelados. O setor vai fechar 2007 com queda de 50% no crescimento previsto. Nefasto paradoxo da era Lula: um dos setores da economia que mais se democratizou nos últimos anos é agora condenado a retroceder. Fruto da falta de visão, conhecimento e honestidade intelectual dos que o dirigem. Ao optar ideologicamente por preencher cargos técnicos com seus apaniguados, o governo transformou-se no próprio apagão.

O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2007 | 00h49

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