O uso de tecnologia diminuirá os erros de arbitragem?

Lance polêmico alimenta o debate

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2009 | 00h29

A Fifa rejeitou o protesto da Federação Egípcia sobre o lance do pênalti que definiu a derrota por 4 a 3 para o Brasil, na segunda-feira, pela Copa das Confederações. Os egípcios alegavam que o árbitro Howard Webb teria visto o replay do lance em um monitor de TV. Segundo a Fifa, o juiz não foi ajudado nem pelo quarto árbitro, nem por imagens. Pelas regras da entidade máxima do futebol, o uso de imagem de televisão para interferir numa decisão do árbitro é proibido.

Resultado da enquete:

Sim> 93%

Não> 7%

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O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS

Um equívoco pode ser reparado sem causar dano a nenhuma equipe?

ERICH BETING

COMENTARISTA DO CANAL BANDSPORTS

A utilização do recurso eletrônico para auxiliar a decisão de um árbitro pode ser muito útil para o futebol. Prática já disseminada em outras modalidades, como o futebol americano e o tênis, a tecnologia se transforma no "olho mágico" que muitas vezes salva a incapacidade humana de captar tudo o que acontece num determinado lance. Contudo, é preciso ter muito cuidado com a disseminação desse uso da tecnologia. O jogo Brasil x Egito mostrou o quanto ela pode ser benéfica para reduzir os erros. O pênalti egípcio só foi perceptível a partir da repetição do lance pela TV. Recorrer à televisão faz com que um equívoco seja reparado sem causar dano a nenhuma equipe. Só que o pedido de revisão da jogada não pode partir de quem está em campo, dentro da disputa. Isso acontece no tênis, por exemplo, mas o jogo não tem contato físico. No futebol, se a moda pegar, o quarto árbitro tem de ser mais um auxiliar ao árbitro principal, tendo para si o recurso da TV para alterar a marcação que seja equivocada. Só assim o recurso eletrônico será eficiente.

?Não podemos nos esquecer do caráter imprevisível do futebol?

JOSÉ ASTOLPHI

EX-ÁRBITRO DA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL

É evidente que a evolução tecnológica acontece em todos os setores e atividades. No futebol, isso não poderia ser diferente. A modernização nos campos é importante, só não podemos nos esquecer da essência do futebol, isto é, o seu caráter imprevisível. No entanto, precisamos ter cautela quanto à utilização de aparelhos eletrônicos. Antes de a tecnologia ser utilizada nos jogos, deve haver um extenso trabalho de adaptação que tem de começar desde a escola de arbitragem. Cursos e testes são necessários para deixar os profissionais aptos a lidar com esse tipo de ferramenta. Caso contrário, os recursos eletrônicos - que têm como principal objetivo reduzir os erros em campo - podem prejudicar a atuação do árbitro. No futebol, quem aplica a regra é o árbitro, não é o auxiliar, o reserva, o radio comunicador e, muito menos, a bandeira eletrônica. Sem contar que a implantação tecnológica tem custo alto. E como aplicaremos a regra nas partidas amadoras? Não podemos ignorar o fato de que esses recursos não estarão disponíveis a todos.

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