The New York Times
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Obra do escultor Costantino Nivola é revista

'Nivola: Sandscapes', em exposição até 10 de janeiro no Magazzino Italian Art, em Nova York, reúne obras raras do artista

Zachary Small, The New York Times

12 de junho de 2021 | 15h00

COLD SPRING, Nova York - Adrian Nivola lembra das longas horas passadas no ateliê do avô, Costantino Nivola, nos anos 1980, observando o artista capturar o abraço amoroso de uma mãe em uma escultura de madeira, enquanto a cantora country Tammy Wynette cantava no aparelho de som.

A música e o homem voltaram ao foco este ano quando ele decidiu mostrar cerca de vinte esculturas do ateliê do avô, jamais vistas anteriormente, moldadas em areia molhada em figuras de animais, pessoas e formas naturais abstratas. Adrian as limpou do mofo para a mostra atualmente exposta no Magazzino Italian Art, um museu de obras do pós-guerra e contemporâneas na Hudson Valley.

Nivola: Sandscapes, em exposição até 10 de janeiro, representa o esforço de uma família para recuperar a imagem do seu patriarca, um representante e esquecido artista do modernismo que se sentia tão confortável colaborando com o arquiteto Le Corbusier quanto sendo amigo de celebridades como Marilyn Monroe. A mostra celebra a técnica pioneira em areia do artista, que exigia que Nivola escavasse a areia molhada e enchesse a cavidade com cimento ou gesso. Era um método eficiente e barato para produzir grandes esculturas em relevo, que ele instalou em edifícios em todo o país.

“Esta é a história de um refugiado italiano que fez da América o seu lar, descobrindo seus semelhantes em uma comunidade de artistas e arquitetos”, disse Teresa Kittler, a curadora da exposição, que reconta como o artista sardo fugiu do fascismo em 1939, chegando a Nova York e se integrando ao cenário cultural da cidade.

Em sua casa em Long Island, Nivola costumava dar festas com amigos íntimos como Willem de Kooning, Jackson Pollock e Lee Krasner. Enquanto os seus pares exploravam os parâmetros do expressionismo abstrato, Nivola elaborava a partir das tradições da escultura mediterrânea com cuboides de concreto, figuras humanoides, reminiscências de seus vizinhos sardos e uma constelação de símbolos pré-históricos.

Nivola tornou-se um expoente anômalo da narrativa histórica da arte ‘du jour’– nem estritamente modernista nem tampouco um expressionista abstrato como de Kooning, Pollock ou os pintores da escola nova-iorquina da “segunda geração” – o que levou ao esquecimento de sua fama após a morte, em 1988. E embora ele nunca tenha tido uma importante retrospectiva nos Estados Unidos, evidência dos seus talentos existe em dezenas de instalações de arte pública em escolas, edifícios do governo e conjuntos habitacionais do governo espalhados pelo país.

Enquanto pesquisavam para a sua exposição, os curadores da Magazzino descobriram uma maquete de 1953 para o showroom da Olivetti na Quinta Avenida, em Manhattan. O projeto, constituído por uma procissão de deuses hieroglíficos e padrões decorativos foi encontrado no depósito da Addison Gallery of American Art na Phillips Academy em Andover, Massachusetts, onde se encontrava desde a sua doação, em 1974.

“Trata-se de um fabuloso exemplo do estilo de Nivola”, disse Kittler, acrescentando que a maquete é apenas um exemplo de como o artista apurava continuamente os seus desenhos, encontrando um equilíbrio entre figuras cubistas futuristas e antigos modos de abstração sardos. “Ele tinha uma ideia muito democrática do que a arte deveria ser e não era realmente possessivo em relação ao seu trabalho”.

Para a filha do artista, Claire Nivola, viajar com a mostra da Magazzino foi uma reunião há muito esperada com a arte do pai, cujas lições no ateliê ajudaram a inspirar a sua carreira de ilustradora e autora de livros infantis.

“Ele nunca me permitiu usar uma borracha quando eu era criança e desenhava, porque não queria que eu me tornasse uma perfeccionista”, lembra. “Ele tinha a alegria de viver de uma criança; tudo o que fazíamos parecia uma mistura entre trabalho e brincadeira’. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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