'Oito senadores foram contra a ação do Brasil pela erradicação do trabalho forçado'

Carta aberta aos senadores Renan Calheiros e José Nery, presidente da Subcomissão Temporária do Trabalho Escravo

Ricardo Young, PRES. DO INST. ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 22h18

O mundo inteiro está empenhado em acabar com o trabalho forçado, análogo ao escravo. O Brasil, último país a abolir a escravidão no século 19, vem se tornando referência no combate a essa prática justamente pela atividade das unidades móveis de fiscalização e do estabelecimento da "lista suja", iniciativas vinculadas ao Ministério do Trabalho e Emprego. Por isso, causa-nos estranheza que oito senadores tenham agido contra os bons exemplos que o Brasil dá na erradicação do trabalho forçado e, em uma averiguação, constatarem que houve "exagero" nas diligências. Onde estavam esses parlamentares quando fiscais do trabalho foram assassinados em Unaí, Minas Gerais, em 2004? Ou quando foram atacados por seguranças de fazendeiros em Mato Grosso, em 2006? Ou quando encontraram ossadas de trabalhadores mortos em fazendas do Pará? E os parlamentares, de um modo geral, por que ainda não aprovaram a PEC que desapropria as terras dos empresários condenados por utilização de trabalho forçado? É hora de dar um basta ao exercício parlamentar clientelista. É também hora de dar um basta às atividades daquelas empresas que põem a sociedade a serviço do lucro. Os verdadeiros líderes empreendedores querem um País mais justo e contribuem para a sociedade civil organizar-se em busca de uma verdadeira transformação. O exemplo que tem a ver com esta carta é o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. É o compromisso voluntário que 182 empresas socialmente responsáveis e entidades representativas, em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho, o Instituto Ethos e a ONG Repórter Brasil, articularam para, entre outras medidas, não fazer negócio com empresas integrantes da lista suja ou com quem negocia com elas. Com isso, o empresariado consciente e responsável manda um recado à sociedade e aos governos: não somos iguais a quem pratica ações do século 19. Cabe ao Estado processar e punir. Só assim será possível separar o joio do trigo. Por isso, esperamos que a fiscalização retorne o mais breve possível e possa trabalhar com as garantias necessárias para a manutenção do Estado de direito.

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