Os cartões corporativos devem ser extintos?

Ministros podem voltar às diáriasDepois das denúncias de mau uso dos cartões corporativos, o governo avalia a possibilidade de substituí-los pelo pagamento de diárias quando os ministros estiverem em viagem pelo País. Cogita-se também a recriação da "verba de representação", abolida no governo Collor, para cobrir gastos em seu local de trabalho. Os ministros não terão que devolver os cartões, mas seu uso ficará mais restrito. Para os demais funcionários públicos não deve haver mudanças. Resultado da enquete:Sim> 76%Não> 24%Confira a próxima enquete em www.estadao.com.brO QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS>>"A saída é reforçar os freios, pois há cartões demais e controle de menos"ROBERTO MACEDO ECONOMISTA E PROFESSORUm cartão dá ao usuário um poder de compra maior que sua capacidade de pagamento em dinheiro ou cheque. O mau uso costuma ser motivo de brigas no âmbito familiar. Nas empresas, a perspectiva de demissão impõe freio adequado. No governo federal, o uso dos cartões que chamo de governativos está solto no número (mais de 10 mil, conforme o noticiário), nas regras de uso e pela falta de punição imediata dos abusos. E no Brasil há o problema cultural do desprezo ao dinheiro público. Contudo, os cartões trazem maior transparência, como mostra o escândalo atual. A saída está em reforçar fortemente esses freios, pois há cartões demais com controles de menos. O risco é vir um sigilo ainda maior, por razões de segurança. Elas existem, mas só muito excepcionalmente. Que risco traz, por exemplo, conhecer os gastos que o presidente e seus familiares fazem por conta dos cidadãos? Impedir isso é que traz um risco, o de continuarmos a ter governantes que ajam como imperadores em suas cortes. >>"O uso deveria ser estendido para o Legislativo e o Judiciário"ISAIAS CUSTODIOPROF. DO DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO DA FEA-USPO uso do cartão deveria ser estendido também ao Legislativo e ao Judiciário, bem como aos membros do Ministério Público, a bem da transparência e da maior racionalidade na gestão pública. O desvirtuamento do uso do cartão decorre da falta de controle e da insensibilidade de alguns dirigentes públicos com a coisa pública. O sistema de controle é o mais fácil de se implantar: ao se fazer o cadastro de um novo usuário dever-se-ia limitar a natureza do gasto e seu limite diário, semanal ou mensal. Isso já está previsto no sistema atual. As operadoras de cartão possuem a tecnologia para gerar informações para o controle dos gastos. A questão da insensibilidade é mais difícil de ser combatida: os abusos deveriam ser rapidamente punidos, de modo a se evitar o desvirtuamento de finalidade. Quanto à extensão do uso do cartão a outros poderes, creio que traria maior transparência ao uso, por exemplo, de verbas de representação que esses agentes públicos recebem. Seria muito bom se nós, eleitores, contribuintes e cidadãos soubéssemos a destinação que é dada a boa parte dos recursos que é distribuída sob essa rubrica.

O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2008 | 00h47

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