'Pesquisa mostra que apenas 10% dos brasileiros consideram um risco misturar bebida e direção'

carta aberta aos motoristas brasileiros

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2007 | 21h48

RONALDO CAMELO EMPRESÁRIONão é novidade que semana a semana os noticiários do Brasil são tomados por notícias de acidentes de trânsito envolvendo bebida e direção. Ao volante, qualquer motorista corre esse risco, se ingerir bebida alcoólica em diferentes níveis, conforme o organismo. Dizer que os motoristas são irresponsáveis, que não há fiscalização por parte do poder público, que a indústria não está nem aí, que os donos dos bares e supermercados vendem bebidas indiscriminadamente é culpar todos e não responsabilizar ninguém. Lá fora, quem não segue as regras é punido, às vezes com repercussão mundial, como as figuras do jet set Paris Hilton e, mais recentemente, Kiefer Sutherland, estrela do seriado 24 Horas, preso por dirigir embriagado. Aqui também temos bons exemplos. Há dois anos chegou ao Brasil o movimento Piloto da Vez, que sugere que antes de sair de casa os consumidores reflitam se vão dirigir e, caso forem, escolham seu "designated driver" - traduzido no Brasil como piloto da vez. Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Synovate, um dos maiores do mundo, revela dados interessantes. Mil e quinhentos brasileiros maiores de 18 anos foram entrevistados em todo o País. Apenas 10% consideram um risco misturar bebida e direção. O movimento ganhou o mundo e conseguiu engajar personalidades globais, como os pilotos Mika Häkkinen e Lewis Hamilton, revelação da temporada. Em ações simbólicas de dar carona a consumidores comuns, eles querem mostrar como é fácil evitar acidentes. Além dos exemplos midiáticos, outros passos podem ser dados. O poder público deve, sim, aumentar a fiscalização. A indústria precisa usar o mesmo poder de criação de marcas para incentivar bons comportamentos. Se aprendemos a degustar vinho, uísque, cachaça, distinguir diferentes cervejas, podemos aprender que bebida e direção não combinam. E os donos de bares, restaurantes e supermercados devem saber que a responsabilidade da venda é deles. Afinal, ninguém lucra com a mistura de bebida e direção. Satanizar uns, fechar os olhos, ou responsabilizar apenas alguns dos agentes dessa complexa questão é assinar embaixo do noticiário que se deseja evitar.

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