Que menina é aquela?

Embora o perfil de Roman Polanski se enquadre perfeitamente naquilo que o presidente Lula chama de um tipo de gente que não pode ser tratada como "pessoa comum", as vagas nesse clube de intocáveis devem ter se esgotado com a admissão de José Sarney pouco antes da prisão do cineasta franco-polonês, em Zurique. A notícia deixou de saia justa no resto da semana o que sobrou da nata do ser humano inteligente. Como aceitar que há tão pouco tempo, na zorra dos anos 1970, o estupro de uma menina de 13 anos não era nada assim uma coisa tão grave - ou Polanski teria, no mínimo, encerrado ali mesmo, na banheira de hidromassagem da casa de Jack Nicholson, a carreira que fez, em grande parte, depois de fugir de Hollywood para a Europa. O mundo deixou isso pra lá!

Tutty Vasquez, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2009 | 00h26

É bom dizer que escrevo na sexta-feira! Na segunda, dando ainda minhas braçadas na onda de protestos dos intelectuais europeus - ô, raça! -, eu contextualizava o estupro na relatividade do obsceno na vida dos artistas de sucesso na década de 70. "Melhor deixar quieto!" - cheguei a recomendar, preocupado com o Caetano. Mudou tudo depois que encontrei "O povo da Califórnia contra Polanski" no blog de Marcelo Rubens Paiva no portal do Estadão (http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/?m=200909). O primeiro depoimento da vítima de 13 anos é a coisa mais desconcertante que li este ano.

O relato cirúrgico e consciente do ato secreto de Polanski não deixa dúvidas: trata-se de um crápula, canalha, cretino! Mas que menina é aquela? Quem era Samantha Jane Geimer? Na quarta-feira, buscando respostas para isso na lista de ONGs em defesa de sua honra, encontrei em reportagem de Andrei Netto, correspondente do Estadão em Paris, uma certa "Crianças Azuis". Burro do jeito que sou, fui pesquisar e, quando cheguei numa parte que falava do "fenômeno de seres muito especiais que decidiram encarnar no planeta a partir dos anos 70 com a missão de mudar as regras dos sistemas e a evolução da raça", que me desculpe o leitor, resolvi dar um tempo neste assunto. O ser humano é muito complicado!

Arriba, Rio!

O ex-jogador de vôlei Tande está coberto de razão: "A Rio 2016 é uma vitória da América do Sul!". Imagina só a alegria dos argentinos com a conquista brasileira. Dizem até que Maradona voltou a sorrir.

Neo-socialite

O Brasil é o único lugar do mundo onde a prostituta de apaixona, o traficante se vicia e o presidente da Fiesp é socialista de carteirinha. Paulo Skaf filiou-se ao PSB para concorrer ao governo de São Paulo.

Esclarecimento

A Marina em que a holding de Eike Batista vai dar uma guaribada não é a candidata do PV à Presidência. A reforma está prevista para a Marina da Glória, na Baía de Guanabara, em função da Rio 2016.

Nome de guerra

O ministro Nelson Jobim ganhou apelido novo entre os técnicos franceses que negociam transferência de tecnologia para a Marinha brasileira: Emissário Submarino.

Fenômeno

A necropsia de Michael Jackson deixou bem claro que o cantor não tinha "esqueleto de um homem doente". Era um morto até sadio!

Top-top

O que mais impressiona no desempenho de Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência, na tropa de choque da política externa brasileira é a confiança que sua figura transmite. Sem falar na simpatia, na humildade, na candura, no espírito desarmado, no jeitinho inocente...

Exceção

Madonna disse num programa de rádio que os homens de sua idade "são casados, divorciados ou rabugentos, gordos e carecas". Não conhece, decerto, o José Mayer, né?

Outra pessoa

Tasso Jereissati conseguiu, enfim, chamar Hugo Chávez de "cangaceirozinho de quinta categoria" na Comissão de Relações Exteriores do Senado, sem precisar usar esses termos ou dar aquele faniquito da vez que dirigiu o xingamento a Renan Calheiros. O remedinho deve estar fazendo efeito!

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