Rabanadas conquistam República dos Panetones

A não ser que estoure nos próximos dias um novo grande escândalo político envolvendo a rabanada, a tradição portuguesa da fatia de pão embebida em leite, passada no ovo, frita e servida com açúcar e canela deve roubar de vez a cena do panetone na mesa de Natal do brasileiro em 2009. Símbolo da última grande lambança do governador José Roberto Arruda, o bolo de massa fermentada com frutas cristalizadas, passas e sotaque italiano virou marca registrada da indignação popular neste final do ano. Nem a Yeda Crusius atingiu nos últimos meses marcas tão impressionantes de rejeição junto à opinião pública.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2009 | 03h39

A indústria do panetone está ainda estimando o prejuízo esperado para este período de festas. Talvez escape da quebradeira o fabricante que vencer o pregão eletrônico da próxima quinta-feira, em Brasília, quando o governo do Distrito Federal vai licitar a compra de 120 mil panetones "destinados à distribuição a famílias de baixa renda". A ideia de fazer do pobre um álibi, traduzindo em caridade o que "as imagens não falam por si", virou a grande obsessão de Arruda depois daquilo tudo. O panetone, na verdade, foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça devido à proximidade do Natal. Poderia ter creditado o flagrante de dinheirama ao peru amigo ou ao bacalhau beneficente, mas, na hora agá, sobrou para o panetone, coitado!

Não é a primeira vez que um artigo inofensivo de consumo cai em desgraça junto com a reputação de políticos e governantes pegos com a boca na botija. No início de 2008, a tapioca protagonizava o escândalo da vez em Brasília, assim como, num passado metido à besta, o uísque Logan, a caneta Mont Blanc e a gravata Hermés viraram grifes malditas da era Collor. Não lembro direito que outras marcas sofisticadas ocuparam na época o vácuo no mercado, mas é certo que, no caso da derrocada do panetone, só vai dar rabanada neste Natal.

Agora vai!

Já tem gente no PSDB falando em aplicar um boa noite cinderela no Aécio Neves para sacramentar na marra a tal "chapa puro-sangue", com o governador de Minas na condição de candidato a vice de José Serra. Quando ele acordar, já era!

Até tu?!

Entreouvido numa rodinha suprapartidária de deputados na hora do cafezinho do Congresso: "Durante 50 anos eu construí um patrimônio moral; ele agora está à venda". Isso quer dizer o seguinte: não tem mais bobo na política.

Campeão

A OGX, empresa do bilionário brasileiro Eike Batista, fez jorrar quatro novos reservatórios de petróleo com uma só perfuração na Bacia de Campos. É o que no mundo dos negócios o pessoal que é do ramo chama de "dar quatro sem tirar".{HEADLINE}

Política menor

Com tanta briga boa pra se meter em Brasília, o governador Jaques Wagner passa os dias na Bahia trocando beliscões com o ministro Geddel Vieira. E depois ainda dizem que quem parece criança é o ACM Neto. Francamente!

Buraco errado

O mais embaraçoso no escândalo sexual envolvendo Tiger Woods, o Pelé do golfe americano, são as piadinhas de duplo sentido com o ofício do adúltero. Nunca se falou tanto por aí no taco do desportista.

Por um triz

A crise política em Honduras está bem perto de um desfecho. Só falta o Zelaya convencer o governo brasileiro a desistir de querer reconduzi-lo à presidência da República.

Ruins de mira

O caso do jornalista de Bagdá que atirou sapatos em Bush e esta semana escapou de uma sapatada desferida por um conterrâneo em Paris só evidencia a falta de pontaria dos iraquianos. Deve ser por isso que, em geral, eles usam bombas, né?

Carona

Um certo clima de revolta tomou conta das bancadas do PMDB em todo o País. O partido é o único dos grandes que não tem mensalão próprio conhecido.

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