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Anton Bakker
Anton Bakker

Realidade aumentada permite pessoas verem esculturas de Anton Bakker em qualquer lugar

Observadas por meio das lentes digitais, obras do artista se baseiam na matemática

Mark Jenkins, The Washington Post

05 de março de 2021 | 10h00

As estruturas abstratas derivadas da matemática do escultor Anton Bakker estão em exibição em locais muito conhecidos no mundo, como o Washington Monument, Times Square em Nova York e em espaços igualmente famosos em Paris, Tóquio, Cidade do México e outros. Agora elas podem ser vistas no seu quintal ou na sua sala de estar.

Isto porque as esculturas se tornaram entidades virtuais que podem ser vistas em celulares e outros aparelhos móveis equipados com uma câmera. Observadas através de uma lente digital, as obras podem ser vistas no globalsculpturedpark.com e têm uma presença envolvente. Você pode se aproximar delas, olhar em torno delas - e é quase possível fazer um selfie. (Clique no botão Activate AR para ter a realidade aumentada, o que irá colocar as obras, virtualmente, no seu ambiente.)

A série de trabalhos, intitulada Global Perspective: Math, Art and Architecture Around the World, ficarão expostas até o final de 2021. E a cada mês um novo conjunto de esculturas, cada um com um tema particular, como fractais, ilusões óticas e fitas de Möbius. As complexas figuras (num vermelho brilhante) Polyline, que estavam à mostra serão substituídas pelos Knots (nós) prateados no início de março.

As peças exibidas em todas as mostras mensais seguem a tradição de escultores modernistas como Constantin Brancusi, Alexander Calder e Isamu Noguchi, cujas obras são aerodinâmicas e sinuosas. Mas as invenções de Bakker são mais complexas, regulares e simétricas, embora estas duas últimas características não sejam imediatamente evidentes.

“Às vezes eu me sinto mais um descobridor do que um escultor”, disse o artista nascido e criado na Holanda, quando fez um tour recente pelo gramado do Washington Monument. O que suas criações demonstram, afirmou, é “a beleza que existe a nível atômico”.

Se o projeto de Bakker soa um pouco como uma arte equivalente ao Pokémon Go, não é uma coincidência. O artista fundou a empresa de mineração de dados Norfolk, que colaborou com a Niantic, da Califórnia, na criação de um jogo para celular, Ingress, cuja tecnologia de geolocalização levou ao aplicativo de caça do Pokémon.

Em 2018, depois da morte do seu mentor, Jacobus Koos Verhoeff, Anton Bakker vendeu a empresa e passou a se dedicar em tempo integral à sua arte. “Hoje faço mineração de dados pela beleza”, afirmou.

O que não foi uma enorme transição, ele observou, porque a estrutura interna de um banco de dados é similar àquela da grade de 3-D que usa para criar suas esculturas. “Estou em casa no espaço dos reticulados cúbicos”.

Outra inspiração é M.C. Escher, seu colega holandês que criou composições em “trompe l’oeil” que representam perspectivas impossíveis e sequências aparentemente infinitas. Bakker foi apresentado a esta obra complexa por seu mentor Verhoeff, que por vezes assessorou Escher em questões matemáticas.

Embora as formas de Bakker sejam inicialmente traçadas com um programa de computador que ele codificou, elas não são todas virtuais. Uma dezena de designs é enviada anualmente na forma de  arquivos digitais para uma fundição, onde são traduzidas em ferro e aço. Na verdade, a atual exposição virtual começou como um evento real no Museu Nacional de Matemática de Nova York.

Quando a pandemia provocou a suspensão da mostra, Bakker e o museu aproveitaram a realidade aumentada. No início as esculturas usavam a geolocalização, o que significa que o espectador tinha de estar situado dentro de 45 metros do local para ver o objeto posicionado virtualmente ali. Mas muitos dos locais selecionados pelo escultor em Washington não eram adequados uma vez que estavam próximos da Casa Branca numa área que atualmente está cercada.

O clima político beligerante que levou à colocação das cercas torna as esculturas de Bakker muito oportunas. Ele considera seu trabalho uma metáfora de como compreender a informação, e, por extensão, a vida. “Gosto de criar esculturas que são realmente diferentes dependendo de como você as olha. E procuro estimular as pessoas a olharem as coisas de todos os lados”, afirmou.

Bakker não decidiu por quanto tempo manterá desligada a geolocalização das esculturas. As curvas, círculos e nós parecem mais substanciais, e mais interessantes, quando estão ligadas a um espaço particular - e assim em diálogo com monumentos feitos de pedra e metal, e não pixels.

Um parque de esculturas virtual ainda é um parque, um ambiente onde a paisagem natural modela e se contrapõem à arte feita pelo homem, e um local ideal para um passeio respeitando o distanciamento social. Em vez de ponderar sobre seus elegantes modelos matemáticos em 3D em casa, Bakker afirmou: “Espero que as pessoas ainda dirão: vamos sair para visitar um belo lugar”. / Tradução de Terezinha Martino

"Global Perspective: Math, Art and Architecture Around the World"

globalsculpturepark.com

Até 31 de dezembro virtualmente em todo o mundo

Grátis

 

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