Sabatina do Tutty

Direto da UTI da lambançaTem gente cuja importância nas esferas decisórias do País a gente só vem a conhecer quando ela comete uma grande lambança. Homens públicos que dão entrada no Jornal Nacional pela UTI da notícia, onde fica muito difícil se explicar depois de entubado pelos fatos e fotos que contam a história do fim de uma reputação para o começo do que não vem mais ao caso. Tipo aquele outro que nos foi apresentado como reitor da Universidade de Brasília por causa de umas latas de lixo milionárias, tá lembrado?Esta semana, dois novos exemplos saltaram do noticiário para ilustrar com riqueza de detalhes a fatalidade aqui exposta. Refiro-me ao também reitor Ulysses Fagundes Neto, da Universidade Federal de São Paulo, e ao diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, que dividem enfermaria no setor de queimados da vida pública nacional. Não dá para dizer "prazer em conhecê-los" desse jeito.Ainda que o próprio Pateta venha confirmar que o reitor da Unifesp hospedou-se num hotel da Disney a serviço, o que até pode ser razoável, é impossível pôr a mão no fogo pelo extrato de um cartão de crédito corporativo com despesas de eletrônicos em Miami, cerâmicas na Espanha, malas em Hong Kong, material esportivo na Alemanha...O caso de Haroldo Lima, da ANP, não é tão grave, mas - Cacilda! - um cara que faz o próprio presidente Lula ficar envergonhado com as boas notícias que seu governo produz... Nunca mais ninguém vai acreditar em anúncios de megacampos de petróleo no Brasil. Farah na saídaFarah Jorge Farah, que como previa o nome um dia fez, pegou 13 anos de cadeia, ou seja, o ex-médico vai continuar solto pelo esquartejamento em 2003 de uma ex-paciente, a quem acusa de ser sua ex-namorada. Tão grave quanto a injustiça com a vítima, o julgamento trouxe de volta ao nosso convívio uma figura bizarra que o noticiário já havia deletado do seu arquivo de assombrações. Parece personagem de filme do Zé do Caixão, talvez por isso sua defesa tenha exibido Atração Fatal para o júri popular. Qualquer coisa que nos ajude a esquecer Farah Jorge Farah é bem-vinda.Eu, hein!A imprensa estranhou que o ator Paulo Vilhena tenha abandonado a peça O Arquiteto e o Imperador da Assíra no meio da temporada. Como se muito mais esquisito não fosse o fato de ele estar em cartaz com um espetáculo do chamado "teatro da crueldade", do espanhol Fernando Arrabal, marco dos áureos tempos do Teatro Ipanema.Custo-benefícioSó com a grana que entrará a mais com o aumento de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil na verba de gabinete, cada deputado federal poderá consumir por mês - sem deixar pegadas de cartão corporativo - 1.108 tapiocas como aquela que quase custou o cargo do ministro Orlando Silva. Sobrará troco de R$ 3,60 (cada tapioca sai por R$ 8,30). Por essas e outras, a CPI do cartão não vai pra frente. Aquilo é coisa de pobre!Aldeia globalO programa de índio da semana foi, sem dúvida, comprar telefone celular em Cuba. A animação do pessoal nas filas lembrava um pouco o "Bazar do Abadía" da semana passada, em São Paulo.DataTuttyNa sua opinião, o jornalista Roberto Cabrini é culpado, inocente ou mais ou menos?Falsificada é piorBaixando a borduna na política indigenista do governo, o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, criticou na quarta-feira o que chamou de "esquerda escocesa" - sabe qual? -, "aquela que atrás de um copo de uísque resolve os problemas brasileiros". Com todo o respeito à opinião do nobre militar, por essa sua linha de raciocínio a "esquerda paraguaia" é uma dor de cabeça muito maior para quem tenta resolver os problemas brasileiros atrás de um copo de uísque. Ou não! Sabatina* Qual o codinome do traficante que a polícia carioca matou em confronto na segunda-feira: "Rouba Rindo", "Mata Rindo", "Cheira Rindo" ou "Esfola Rindo"?

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2008 | 23h33

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