'São Paulo não pode mais conviver com a degradação de seus recursos hídricos'

Carta aberta à sociedade brasileira

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 20h36

Mario Thadeu Leme de Barros

PROFESSOR TITULAR DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

O seminário promovido pela Epusp e Globo Universidade sobre Rios de São Paulo mostrou que ação e vontade política podem recuperar um rio urbano deteriorado. Empregando técnicas avançadas de projeto e execução de obras e ouvindo as demandas da população, a cidade de Seul renaturalizou importante patrimônio natural e cultural de seu povo. A experiência indica que é fundamental rever as técnicas tradicionais de projeto envolvendo a água urbana. A visão setorial e tradicional cede hoje lugar à visão multidisciplinar de soluções técnicas propostas pelo conceito inovador da renaturalização de bacias hidrográficas urbanas. As soluções englobam diversos setores da infraestrutura urbana, considerando elementos sociais, ambientais e econômicos nela presentes. Os projetos de recuperação requerem mudança de paradigma. É fundamental que os gestores do saneamento apresentem um programa de recuperação dos rios, com cronograma de expansão de capacidade, envolvendo obras, custos e indicadores de qualidade. Soluções setoriais do saneamento devem ser evitadas. São Paulo tem um grande poder econômico. Não pode mais conviver com a degradação de seus recursos hídricos. O Tietê, o Pinheiros e seus afluentes podem ser recuperados em curto prazo: o problema não é técnico, é preciso ação política. A sociedade também deve exigir a preservação e a recuperação de seus rios e áreas verdes. A contribuição da mídia, para divulgação das políticas e conscientização da população, é igualmente desejada. Vamos redescobrir nossos rios e exigir que os gestores públicos adotem nova atitude frente à degradação ambiental. Durante o seminário, o governador do Estado, José Serra, afirmou ser um ambientalista fanático. Isto é, já temos um importante aliado.

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