Sarkodane, Sarkozyx e Sarkoleón Bonaparte

Ambulatório da Notícia: Unidade de tratamento para quem sai mal na foto

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2008 | 23h16

Como se não bastasse a conquista de Carla Bruni, façanha que o transformou numa espécie de John Kennedy da França, o presidente Nicolas Sarkozy partiu esta semana para a guerra do Cáucaso com a determinação de Napoleão III, a agilidade de Asterix e o jogo de cintura de Zidane, decidido a trabalhar uma imagem de legítimo herói nacional. E quem, no futuro, em qualquer ponto do planeta, abrir os jornais do dia 13 de agosto de 2008 terá mesmo a impressão de que ele conseguiu, em nome da União Européia que também preside, mediar o cessar-fogo entre a Rússia e a Geórgia. Não gastou, para isso, mais que um puxão de orelha e dois tapinhas nas costas de Dmitri Medvedev e Mikhail Saakashivili, respectivamente em Moscou e Tbilisi. "Non, non et non!" - encerrou o assunto da guerra antes de partir.E voltou para Forte de Brégançon, no sudeste da França, onde, às vésperas da confusão na Ossétia do Sul, posava para fotos de bermudão estampado ao lado da primeira-dama de maiô, em gozo de férias na residência oficial de verão do governo francês. Evidentemente que, assim que deu as costas para a paz, o pau voltou a comer no Cáucaso, mas, à esta altura, seu instante de herói já havia sido registrado para a posteridade. Ninguém apaga. Sarkozy, como sempre, está bem na foto. É impressionante como tudo na vida desse sujeito acontece como num filme, não parece verdade. Tem horas, inclusive que ele aparenta ter mais de 1,80m. Como naquela vez em que foi de peito aberto resgatar a ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt na selva amazônica - pelo menos esta é a imagem que para sempre ficará do desembarque em Paris da ex-refém das Farc. Na quinta-feira passada, já refeito deste papo de brabo de ossetas e cossacos após um bom mergulho no Mediterrâneo, o herói de Carla Bruni passou o abacaxi do Cáucaso para Condoleezza Rice acabar de descascar. Hora de voltar para seu conto de fadas e botar seus cinco cérebros para trabalhar um novo capítulo dessa história que, se não aponta uma saída para o se humano, também em nada contribui para o fim do mundo. FenômenoDo jeito que o desmatamento vem caindo na Amazônia - praticamente 60% em julho - capaz de, em outubro, voltar a brotar cabelo na careca do ministro Carlos Minc.Pau pra toda obraÉ dura vida do presidente Lula. Sabe lá o que é assistir à posse do presidente do Paraguai depois da abertura das Olimpíadas de Pequim? Essas coisas a oposição não vê?!Direitos humanosA polícia de Los Angeles prendeu a Cinderela e a fada Sininho em manifestação sindical na Disneylândia. Se é no Rio, a Anistia Internacional daria um chilique. Gajo em fúriaO drama do judoca português que luta para deixar de ser corno é de longe, pelo menos até agora, a história mais mal contada da Olimpíada de Pequim. O obscuro Pedro Dias venceu o bi-campeão mundial João Derly e disse depois ao jornal português A Bola que havia humilhado seu adversário no tatame para vingar uma namorada que andou ficando com o brasileiro numa passagem do casal por São Paulo. Até aí tudo bem, acontece, mas, depois de ser eliminado na luta seguinte e amargar a manchete "Matar o traidor e depois morrer" nas bancas de Lisboa, Pedro Dias mandou e-mails para Deus e todo mundo, no Brasil e em Portugal, desmentindo toda a história, inclusive o detalhe de que estaria com a mãe de João Derly enquanto o colega pegava sua namorada. Nem Pedro Bial, veterano em histórias cabeludas em grandes eventos esportivos, tem coisa parecida pra contar. EnquetePara não melindrar nem comprometer ninguém, vamos fazer aqui uma votação diferente: quem estiver morrendo de saudades do programa do Jô Soares - fora do ar durante a Olimpíada - levanta o braço. Ok, ok, pode abaixar.Os carasQuem são os paulistanos que esta semana se encontraram no show de João Gilberto e no aniversário de Wim Wenders?FRASES''Não adianta fazer lei de país civilizado''Fausto Martin De Sanctis, juiz que autorizou as escutas da Operação Satiagraha, em depoimento à CPI dos Grampos, ao criticar a intenção de alguns parlamentares de criarem restrições ao uso legal de escutas telefônicas no Brasil''Vamos largar esse osso''Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, ao defender a concessão do aeroporto Tom Jobim à iniciativa privada''Não levei puxão de orelhas''Tarso Genro, ministro da Justiça, negando que tenha levado bronca do presidente Lula por discutir a punição a torturadores''A PF melhorou, mas estamos em uma democracia ainda adolescente''Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, questionando o volume de escutas telefônicas realizadas pelo órgão''Falhei com Pitta porque não conhecia a mulher dele''Paulo Maluf, candidato à Prefeitura de São Paulo, em referência à Nicéa Pitta, sua ex-mulher, que denunciou irregularidades ''O PT fraudou o movimento social que construiu nos anos 80''Francisco de Oliveira, sociólogo e ex-petista, mostrando descontentamento com o partido''É como uma pessoa dizer que comeu um boi, e outra dizer que comeu três galinhas''Roberto Messias, presidente do Ibama, desconfiado, relativizando os benefícios apresentados na construção da usina hidrelétrica de JirauEle foi um homem muito forte paraagüentar tudo isso''Gregori Júnior, cirurgião cardíaco, elogiando o seu paciente Onivaldo Cassiano que usou 400 bolsas de sangue em 51 horas de cirurgia''Sempre fui o Brad, ele (o ator) que mude o seu nome''Brad Pitt, boxeador australiano, inflexível quando questionado sobre trocar de nome ''Melhor um bronze que uma banana''Leandro Guilheiro, judoca brasileiro, rebatendo a crítica de que o País só consegue ganhar medalhes de bronze

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