'Se isso não são maus-tratos, o que é necessário para caracterizar como tal?'

Carta aberta ao juiz federal Alaôr Piacini, da 9° Vara de Brasília

Pedro A. Ynterian, diretor no brasil do projeto dos grandes primatas (GAP), O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2008 | 23h16

Um colega seu, o juiz Gustavo Alexandre da Câmara Leal Belluzzo, concedeu no ano passado uma sentença lapidar contra as atividades do circo Le Cirque em São Paulo, proibindo-o de usar animais em todo o Estado. Além disso, outros quatro Estados - Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraíba - e mais de 50 cidades já têm leis que proíbem a utilização de animais em circos. A Operação Arca de Noé, que ocorreu nessa semana em Brasília, é emblemática, até porque uma lei federal que proíbe definitivamente o uso de animais nos circos está para ser aprovada no Congresso. Em oito anos, o GAP retirou mais de 40 chimpanzés de circos. Os que foram encontrados no Le Cirque são praticamente os últimos que restaram no País. Segundo o dono do circo, os chimpanzés apreendidos pelo Ibama faziam "parte da família". Porém eles eram castrados, mutilados para ficarem mais dóceis, e tiveram todos os dentes arrancados. Se isso não são maus-tratos, o que é necessário para tal caracterização? Uma empresa que vendeu um dos chimpanzés, a Zoobotânica Marco Schwarz, do Paraná, atestou publicamente que o animal foi entregue em perfeitas condições ao circo. Condenar aqueles infelizes, que têm 99,4% do nosso DNA e compartilham o mesmo sangue, a voltar para uma tenebrosa gaiola de quatro metros cúbicos, sem pisar na terra, ver o sol e desfrutar do convívio com seus iguais é uma ação que nenhum ser sensível, como um juiz de direito, pode aprovar. (A Justiça concedeu liminar determinando ao Ibama a devolução a Le Cirque dos animas apreendidos na Operação Arca de Noé.)

Tudo o que sabemos sobre:
Carta aberta

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.