Tamo junto!

Americano de Detroit, Mark Laita, 53 anos, fez (bem) a vida fotografando campanhas publicitárias para grandes marcas mundiais, como BMW, Apple, Adidas, Coca-Cola e tantas outras. Em 2010 lançou seu primeiro livro não comercial: Created Equal (Criados Iguais), uma série de retratos organizados aos pares que mostram, ora com humor, ora com tristeza, as diferenças e as semelhanças entre seus compatriotas. São diferenças sociais, religiosas, econômicas, de gênero. "No coração dessa coleção de retratos está meu desejo de nos lembrar que somos todos iguais até que o ambiente, as circunstâncias ou o destino nos molde cada um de um jeito", ele diz.

CHRISTIAN CARVALHO CRUZ, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2013 | 02h10

A ideia por trás de Created Equal me

remete a The Americans, de Robert Frank*. Seu trabalho atualiza Frank?

Os dois trabalhos são estudos da cultura americana, mas têm abordagens distintas. Eu quis estudar essa cultura tal qual ela existe nos indivíduos. Frank a estudou nos eventos e nos estilos de vida.

Como você encontrou esses personagens? O ladrão de banco, a abduzida por

alienígenas... Todos eles são reais, certo? Qual o mais difícil de fotografar?

Sim, é claro que eles são reais. Foi um projeto longo, oito anos rodando. O polígamo foi o mais difícil de chegar na frente da minha câmera. Mas fiquei espantado com a forma como quase todo mundo concordou em ser fotografado.

Você fotografou cada personagem já pensando no outro que iria completar o díptico? Ou os colocou juntos depois, na edição?

Um pouco dos dois. Há alguns casos, como o das freiras católicas e as prostitutas, que foram preconcebidos. Mas os dípticos não eram meu conceito inicial. A ideia de colocar os personagens lado a lado nasceu quando espalhei todos as imagens sobre uma grande mesa.

Um exercício de imaginação: quais seriam os pares de Barack Obama, Woody Allen, Lionel Messi, papa Francisco e Madonna?

O objetivo de Created Equal é iniciar a conversa, não tomar uma decisão. O emparelhamento entre quaisquer desses indivíduos faria isso de forma eficaz. Experimente, você vai se divertir.

O LIVRO. Entre uma escapada e outra do estúdio,

foram oito anos rodando os EUA em busca de bons

personagens. A caçada resultou num livraço de 240 páginas, 40 cm x 30 cm. Disponível na Amazon.com.

"Nos EUA, o abismo entre ricos e pobres está crescendo, o embate entre conservadores e liberais

está se fortalecendo e até mesmo o bem e o mal parecem mais

polarizados do que nunca"

A REFERÊNCIA. Em 1955, Robert Frank (1924) caiu na estrada para fotografar a sociedade americana.

O livro resultante, The Americans, de tão importante,

é considerado um tratado sociológico sem palavras.

HARMONIZAÇÃO. Dois clássicos americanos e um rock canadense para embalar a viagem proposta por Laita: My Hometown (Bruce Springsteen), What's Happening Brother (Marvin Gaye), Wake Up (Arcade Fire).

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