'Um motorista que dirija bêbado não tem o direito de se recusar a passar pelo bafômetro'

CARTA ABERTA às autoridades brasileiras

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2007 | 21h55

Gabriel Padilla, ARQUITETO E PAI DE ANA CLARA, MORTA EM UM ACIDENTE DE CARROHá um ano perdi minha filha Ana Clara, de 17 anos, num desastre de automóvel na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, com outros quatro amigos. O motorista estava alcoolizado e em alta velocidade. Escrevi um livro, Relato de um Amor, em homenagem a ela. Descrevi também a devastação provocada em minha vida por essa tragédia. Passados esses meses, a situação piorou. Aumentaram os índices de mortes provocadas por motoristas embriagados. São tímidas as ações do governo para mudar essa situação que traz tanto sofrimento a muitas famílias. Sei que a conscientização do motorista é essencial, mas ela ocorrerá somente quando o Estado se fizer presente, de forma dura e inflexível. Como num país civilizado. A legislação deve se adequar e a Justiça, se engajar. Não posso admitir que um motorista bêbado possa se recusar a fazer o teste do bafômetro. Seu direito não pode estar acima do daqueles que ele conduz em seu carro ou estão em seu caminho. Campanhas educativas devem ser uma constante, assim como a disciplina nos colégios. A fiscalização deve ser efetiva e a punição pecuniária tem de doer no bolso do transgressor. O Estado não pode hesitar em fazer valer a força da autoridade em benefício da sociedade. A situação calamitosa em que vivemos, e morremos, deve receber um tratamento de choque. A diminuição dos números referentes a mortes no trânsito causadas pelo álcool será um sinal de que as ações propostas acima terão dado resultado.

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