Você apóia a proibição da venda de bebidas alcoólicas em postos?

Prefeito proíbe o comércio em postos do Rio O prefeito Cesar Maia surpreendeu os donos de postos de combustíveis do Rio de Janeiro ao publicar, terça-feira, um decreto proibindo a venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência. O estabelecimento flagrado desrespeitando a lei, que entra em vigor em 1º de outubro, terá o alvará cassado. Para Maia, tal comércio contribui para o aumento do número de acidentes de trânsito. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também defende a proibição.O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS>>"Proibir a venda em um único tipo de estabelecimento é discriminatório"ALISIO J. M. VAZ VICE-PRES. DO SINDICATO NAC.DAS DISTRIB. DE COMBUSTÍVEISO problema é o consumo de bebidas alcoólicas por motoristas e não a venda desses produtos em lojas de conveniência. Pesquisa feita pelo Ibope indica que é insignificante o consumo de bebidas em postos, especialmente se comparado com choperias, bares, boates e outros locais onde o programa é beber. Qual a repressão sobre o consumo de álcool por motoristas nesses locais? Lojas em postos atendem consumidores, assim como as padarias de bairro e os grandes supermercados, que também vendem bebidas. Jovens vêm utilizando alguns postos como ponto de encontro. Lá, consomem bebidas que, muitas vezes, trazem de casa ou compram de ambulantes. As distribuidoras de combustíveis defendem a proibição do consumo de bebidas em postos e repressão exemplar para motoristas alcoolizados. Mas proibir a venda em um único tipo de estabelecimento comercial é discriminatório e injusto com o comerciante e com seus clientes regulares. Muitos bares têm até estacionamento e manobrista. Por que podem continuar a vender bebidas? >>"Postos viraram ponto de encontro para jovens que dirigem após beber"FÁBIO RACYPRES. DA ASS. BRASILEIRA DE MEDICINA DE TRÁFEGOSegundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), R$ 28 bilhões são gastos por ano no Brasil com acidentes de trânsito. Cerca de 70% desses acidentes são causados pelo álcool. E 50% dos acidentes causados pelo álcool são fatais. Portanto, toda ação feita para diminuir o consumo de bebida alcoólica entre motoristas é muito bem-vinda. Mas, para que tenha efeito no longo prazo, é necessária intensa fiscalização. Quando, no Estado de São Paulo, se proibiu a venda de bebida nos postos de gasolina das rodovias houve sensível queda no número de acidentes. Com o tempo, formas de burlar a lei foram encontradas. Agora, a cidade do Rio de Janeiro deu um importante passo com a proibição da venda nos postos de gasolina municipais. Esses estabelecimentos se tornaram ponto de encontro de jovens que, após ingerir grandes quantidades de álcool, seguem com seus carros para continuar a balada em outro lugar. A Abramet apóia a proibição com esperança de que com a lei e com fiscalização se consiga diminuir o número de mortes causadas pela mistura de álcool e direção.

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