Você é favorável ou contrário ao novo acordo ortográfico?

Uma reforma controversaApesar da polêmica, o Parlamento português aprovou na sexta-feira passada, 16/5, o acordo que unifica a ortografia em todos os países lusófonos. O protocolo determina que a uniformização do idioma entre em vigor oficialmente dentro de seis anos. O acordo já foi ratificado pelo Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, mas Angola e Moçambique mostram resistência. Portugal terá de mudar a grafia de 1,42% das palavras, enquanto no Brasil a mudança será de 0,43%.Resultado da enquete:Sim>42 %Não>58 %Confira a próxima enquete em www.estadao.com.brO QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS>>"O tratado aproxima os povos que integram a comunidade lusófona"DOMÍCIO PROENÇA FILHO PROFESSOR DA UFF E MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRASO novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que já deve ser adotado a partir de janeiro de 2009 no Brasil, apresenta diversos aspectos positivos. Primeiramente, o tratado aproxima os povos que integram a comunidade lusófona. Essa unificação agiliza o intercâmbio de livros e periódicos. Com isso, abre tanto para Portugal, como para os países africanos e para Timor Leste, um contingente significativo de leitores. A uniformização da língua escrita também é importante porque cria uma unidade intercontinental do idioma e aumenta seu prestígio em outras nações. No âmbito da diplomacia, o acordo será responsável pela elaboração e troca de documentos de uma forma mais ágil e eficiente, principalmente nos espaços dos organismos internacionais. Outro ponto relevante é a simplificação decorrente dos novos critérios, o que contribuirá no processo de alfabetização em todas as faixas etárias. Isso será visto no aprimoramento da expressão escrita. Com o acordo, uma língua comum será preservada e a política do idioma será de fato fixada. >>"No que se refere a facilitar a comunicação, a reforma é inócua"VIOLETA QUENTAL LINGÜISTA E PROFESSORA DA PUC-RIOVejo o novo acordo ortográfico como um gesto simbólico, de caráter político e econômico-comercial, pela união dos países lusófonos e abertura de mercados. Nesse sentido, ele é defensável. Já em relação ao aspecto pedagógico da uniformização, poucas mudanças anunciadas pela reforma vão efetivamente facilitar o aprendizado. Para nós, alfabetizados, as palavras modificadas necessitam um tempo de reaprendizagem e convivência das duas ortografias, o que não trará grandes problemas. Mas nos países africanos, que adotam o português europeu como idioma oficial ou segunda língua, a questão da compreensão continuará a mesma. Além disso, a ortografia não se reflete diretamente em nenhuma variante falada, então não há por que mudar a convenção. Do ponto de vista da facilitação da comunicação entre os leitores desses países, um dos principais argumentos que moveu o tratado, a reforma também é inócua. Não há nenhuma dificuldade de leitura de textos do português europeu para nós, brasileiros, e vice-versa.

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